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Açores

A meio do Atlântico entre a velha Europa e as Américas ficam nove ilhas encantadoras com cinco longos séculos de história.

No mapa Açoriano o visitante descobrirá uma geografia singular de formação vulcânica, com lagos verdejantes e colinas ensolaradas, pequenas serras bordadas de hortênsias e, mesmo ali ao lado, lagoas de um azul estonteante. Descobrirá nas suas cidades e vilas o passo vincado da História, das lutas liberais e da pirataria atrevida às pinceladas aristocráticas que o tempo ainda não corroeu. Descobrirá uma religiosidade profunda na alma das gentes que se repete ao longo do ano em promessas, procissões, romarias, impérios e igrejas. Os Açores oferecem ao visitante um mundo inesquecível repetido nove vezes como um eco que nos convida a permanecer.

Explorar os Açores

Gastronomia

Come-se bem nos Açores – peixe claro, fresco, como convém. O marisco, em particular o cavaco, as cracas e as lapas, é um património gastronómico comum às nove ilhas. Nas carnes o destaque vai para a alcatra da Terceira e para o cozido das furnas, em São Miguel, confeccionado de uma maneira típica e única: os recipientes hermeticamente fechados são colocados debaixo de terra e os alimentos são cozinhados com o calor vulcânico. De referir, também, a receita de inhames com linguiça, cozinhado de modo próprio em cada uma das ilhas. O queijo merece destaque na gastronomia açoriana e, de entre os vários tipos, sobressai o queijo de São Jorge, conhecido por "queijo da ilha". Nas mesas açorianas também há fruta: ananás, maracujá, banana e anona. Das sobremesas fazem ainda parte as doçarias, onde pontua a massa sovada e, conforme o local, as queijadas da Graciosa ou as queijadas da Vila (Franca). No sector dos vinhos é forçoso falar do verdelho do Pico e dos Biscoitos, na Terceira. A aguardente da Graciosa também merece ser bebericada com o vagar que só se encontra nas ilhas.

Fonte: Revista UP da TAP

Fauna

O isolamento geográfico das ilhas facilitou a perpetuação de novas características em varias espécies e é possível identificar algumas subespécies típicas do arquipélago. Exemplo é o cão de fila de São Miguel, óptimo guardador de rebanhos e manadas e recentemente reconhecido pelo Clube Português de Canicultura. É um cão rústico, forte, pernoita ao ar livre todo o ano, é inteligente, leal, obediente, e morde sempre em baixo para não ferir o úbere das vacas. Nas aves salienta-se o priolo, o milhafre, o queimado, o cagarro, o melro negro e a gaivota. Os Açores são local de paragem obrigatória para muitas aves migratórias que, nas suas travessias transatlânticas, aproveitam para descansar - e nidificar - nas lagoas e costas das ilhas açorianas. A fauna marítima é o ex-líbris da região, sendo o mar açoriano um dos mais ricos do Oceano Atlântico. O destaque vai para os animais de grande porte: a baleia bico-de-garrafa boreal, a baleia-piloto, a orca e a baleia-de-bico-de-sowerby são odontocetos (baleias com dentes) frequentemente avistados, sendo o cachalote o mais frequente dos cetáceos nestas águas. No que toca a golfinhos, as espécies mais avistadas no arquipélago são o golfinho comum, o pintado, o de risso e o roaz. O golfinho comum (Delphinus delphis), facilmente identificável pelo seu flanco amarelo, mede cerca de 2,2 metros e pesa entre os 75 e os 130 quilos, é um animal sociável que frequentemente brinca junto às embarcações. Nos Açores, é habitual encontrar grupos de golfinhos comuns com 300 e até mesmo 400 indivíduos.

Fonte: Revista UP da TAP

Curiosidades

Personalidades

Da literatura ao desporto. Da música à política. Da medicina ao jornalismo. Os Açores sempre produziram figuras que se destacaram nas mais diversas áreas. A imagem açoriana no mundo deve-se muito a eles. Hoje, os Açores são, entre outros, o escritor João de Melo, o futebolista Pauleta, a cantora Nelly Furtado, o médico Linhares Furtado, o músico Nuno Bettencourt (Extreme) e o humorista e apresentador televisivo Luís Filipe Borges. Há, igualmente, sangue açoriano na história da República. O primeiro Presidente da República Portuguesa, Manuel de Arriaga, era açoriano, nascido na Horta em 1840. Teófilo Braga, também.

As Lagoas

Uma forte marca da natureza no arquipélago são as grandes lagoas que caracterizam algumas das ilhas. São depressões que resultaram do abatimento superior de crateras vulcânicas.

Ícones

O lirismo das ilhas Açorianas é uma das marcas da região - e está bem presente, por exemplo, em voices from the islands, uma antologia de poesia escrita por autores Açorianos, editada pela Brown University. Quatro nomes destacam-se na família de poetas do arquipélago: Antero de Quental, Vitorino Nemésio, Natália Correia e Emanuel Félix. Na obra deles está presente um imaginário ao mesmo tempo insular e universal. Poderiam subscrever esta citação de Nemésio: "Sou ilhéu; e, tanto ou mais do que a ilha, o ilhéu define-se por um rodeio de mar por todos os lados". Antero mais metafísico, Nemésio mais ligado a uma memória de infância e de juventude e Félix mais esteta, procurando o rigor do poema, influenciado pelas artes plásticas e pela literatura oriental.

Vacas

Manteiga cremosa. Leite fresco e certificado. Queijos de sabores inconfundíveis. Carne tenra e suculenta. As presenças mais assíduas na paisagem açoriana dão-nos isto e muito mais. As vacas chegaram ao arquipélago por altura da colonização, no século XV, e desde então são responsáveis por grande parte da matéria-prima dos mais apreciados produtos regionais. O segredo para tamanha qualidade: o gado açoriano é criado em regime de pastoreio livre.

Moby Dick

Protagonista de Moby Dick, de Herman Melville, o cachalote é a maior das baleias com dentes. Os machos adultos, podem atingir os 20 metros de comprimento e as 70 toneladas e até à década de 80 eram muito procurados pelos pescadores açorianos. Desde a cessação da pesca da baleia, em 1987, a relação dos locais com os enormes mamíferos é mais amistosa. No arquipélago existem várias empresas de observação de baleias, distribuídas por 5 ilhas – Pico, Faial, Terceira, Graciosa e São Miguel – que se dedicam à organização de expedições turísticas para observação de golfinhos e baleias em alto mar.

Fonte: Revista UP da TAP

Artesanato

Utilizando materiais locais, os artesãos Açorianos mantêm vivas as tradições de séculos. Desde cerâmicas coloridas a delicados bordados e rendas, de trabalhos em osso de cachalote a frágeis flores feitas de escamas de peixe. De peças executadas em miolo de figueira e de hortênsia a mantas tecidas em teares manuais. Não faltam, claro está, as miniaturas das elegantes canoas baleeiras e de objectos de antigo uso diário, as violas da terra que alegram as festas, os trabalhos em negro basalto.

Vestuário

Roupa ligeira e leve, com uma ou duas peças de lã para as noites mais frescas, é habitualmente suficiente para todo o ano. Recomendável impermeável, sobretudo nos meses de Outubro a Abril, em que as chuvas são mais frequentes mas quase sempre seguidas de umas horas de sol.

Vulcanismo

A origem vulcânica do arquipélago, situado na conjunção das placas tectónicas da Europa, América e África, gerou um conjunto de importantes fenómenos para os que se interessam por vulcanologia e espeleologia. Se as bonitas lagoas no fundo de caldeiras e crateras são um símbolo turístico dos Açores, os apreciadores de vulcanologia têm a possibilidade de observar muitos outros fenómenos: grutas, furnas, caldeiras, fumarolas, escoadas lávicas, (localmente chamados "mistérios"). Aos espeleólogos, a descida ao fundo dos algares, o percurso por grutas e tubos com quilómetros de comprimento oferecem a oportunidade de descobrir o maravilhoso espectáculo de estalagmites, estalactites, colunas e cornijas de origem vulcânica.

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